No Olimpo é comum que as divindades saiam para um ano
sabático coletivo todas as vezes em que a tensão divina se aproxime de um ponto
de ruptura, pois acredita-se que uma porradaria entre deuses seja muito ruim
para a imagem de seres celestiais. Quase tão ruim quanto ver o próprio celular
caindo dentro do vaso sanitário durante uma selfie (pior ainda se o ângulo da
foto ficar de baixo para cima).
Novos estudos, entretanto, tem questionado a prática de se
deixar durante um ano inteirinho o Olimpo nas mãos de um único deus de plantão
(a base destes estudos leva em conta a besteira feita pelo deus da beleza que
criou a humanidade em uma crise de baixa autoestima sob o pretexto de que
precisava de uma opinião sincera sobre seu novo corte de cabelo).
Resumo da ópera: os deuses sairam para seu ano
sabático em 2016 (depois de se xingarem mutuamente de coxinhas e petralhas) e ao retornar encontraram a porta do Olimpo aberta. Quer dizer, não estava apenas
aberta. Estava escancarada.
O primeiro a entrar foi o deus da guerra que, com ar de
poucos amigos, já foi perguntando com grosseria:
- Quem foi o deus de plantão durante este ano sabático?
- Foi o Baco – respondeu prontamente a deusa da sabedoria.
- Aquele bêbado?
Todos se entreolharam apreensivos.
A deusa do amor correu até a beirada do abismo de onde se obtém
a melhor visão da terra dos homens e começou a chorar.
- Pessoal, acho que as bestas fugiram da prisão subterrânea
e uma delas virou presidente dos Estados Unidos.
O deus do sol – todo bronzeado após 1 ano de férias
literalmente bem curtidas – correu para conferir.
- Caraca, mano, fugiram mesmo... e tem uma destas bestas fingindo que é presidente do
Brasil.
Poseidon, o deus dos mares, se esticou na ponta dos
pés para conferir a situação e ficou lívido.
- Galera... não quero criar pânico, mas acho melhor a gente
fechar o Olimpo e mudar de profissão, pois a partir de hoje ninguém mais vai
acreditar em deuses.
- Por quê? – gritaram todos em uníssono.
- O Gilmar Mendes é ministro do STF e presidente do TSE no
Brasil.