Viver no universo não é uma ideia tão boa afinal de contas –
concluiu Miraflores antes de apertar o botão rosa – Que o digam os milhares de
visitantes que passam por aqui só para ver como são as coisas desse lado e
imediatamente se mandam ao perceber que não é tudo aquilo que imaginavam.
E aquele que decide ficar? – insistiu Miraflores, que não
estava em seus melhores dias – É sempre o tipo mais chato, que só reclama e faz
pergunta besta: “Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou?”.
Mas, convenhamos, – Miraflores nem titubeou antes de apertar
o rosa novamente – se o sujeito não sabe de onde veio era melhor nem ter vindo;
se não sabe para onde vai, pode ir para qualquer lugar que não fara a menor
diferença; porém se não sabe quem é talvez seja o caso de conferir seus dados
de identificação.
Agora... se mesmo assim continuar na dúvida, que seja apenas
mais um, pois o universo já está cheio deles e um a mais não fará a menor
diferença...
Mas o que pode saber um simples robô? – ponderou por fim
Miraflores, que fora construído unicamente para inspecionar a produção de
flores, selecionando as mais belas para replantio.
Dois observadores anônimos se entreolharam preocupados do lado de fora da estufa.
- Dá para fazer um robô mais prático e menos filosofal sem perder habilidade
com as flores? – perguntou o chefe de produção ao engenheiro de robótica.
- Só se injetarmos um vírus de ambição.
- E ainda aumenta a produção? Fechado!
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