Os Deuses do Olimpo estavam sentadinhos e em estado de
choque à beira do precipício de onde se tem a melhor visão da Terra dos homens.
Tinham acabado de assistir à tragédia
de Bukakron e todos se entreolhavam atônitos com o triste desfecho daquele
jovem herói, pois seguiam sua história desde quando ainda era o pequeno Bukakronzinho
da mamãe.
A Deusa da futilidade ajeitou a revista Caras no colo e
começou a chorar.
- Que vergonha... me desculpem.
- Não precisa se desculpar, amiga, eu também estou
emocionada com o fim do nosso amiguinho. – socorreu a Deusa da beleza enxugando
uma lágrima e borrando a própria maquiagem, o que a deixou com cara de Ozzy
Osbourne depois do famoso jantar de morcego.
- Não! Eu estou chorando de vergonha pela besteira que a
Anitta fez... o nariz dela ficou ridículo depois da operação plástica. Não
bastava irritar as pessoas com aquela coisa que ela chama de musica e agora também
quer assombrar com a imagem?
- Ah!
- Alguém pode me explicar o que exatamente passou pela
cabeça do Bukakron? – perguntou a Deusa do egoísmo – Ele poderia ter ficado
quietinho junto daqueles que o amavam... mas não... tinha que se sacrificar em
terras desconhecidas... odeio meninos e seus excessos de testosterona.
- Nós já tivemos essa mesma conversa quando Che Guevara deu
as costas às declarações de amor do Fidel e preferiu morrer sozinho na Bolívia.
– interferiu o mensageiro dos deuses que sempre levava a pior durante essas discussões.
Sempre achavam que ele tinha algum tipo de culpa.
- Não, ela tem razão – emendou um Deus que ninguém sabe o
nome, afinal são tantos deuses que é impossível se lembrar de todos – Por que
nossos filhos insistem em sair do local onde os colocamos e vão se meter onde
não são chamados?
- Isso! – a egoísta se animou – Eu não queria ficar aqui
sofrendo por uma leviandade de um filho inconsequente.
O Deus do bom senso pediu a palavra:
- Quer dizer que Bukakron deveria se conformar com o auto-desconhecimento
e tocar a vidinha besta? Assim como Colombo não deveria ter cruzado os mares e
o homem nem deveria ter ido à Lua?
- Mas o homem não foi à Lua.
- Sim, mas a questão é retórica. Se os bichos aceitarem passivamente
seus limites só para agradar a alguém, ainda que sejam os deuses, estarão
abrindo mão do livre arbítrio. Perderão o direito à própria felicidade só para
que alguém seja feliz em seu lugar. E isso Nós não queremos, certo?
Como ninguém contestasse, ele insistiu.
- Alguém aqui deseja que nossos filhos sejam cordeirinhos só
para nos trazer felicidade?
O Deus do vinho que parecia não estar ouvindo uma só palavra
daquilo que se dizia levantou o dedinho gordo e desviou o olhar da taça meio
vazia:
- Quem vai explicar tudo isso aos fiéis do Deus bonito?
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